A evolução da cidade-De Old Dartmouth para New Bedford, capital baleeira do mundo


Old Dartmouth  |  Capital Baleeira  |  Declínio da Caça à Baleia |  Revolução Industrial


 

O advento de​ Old Dartmouth 

Em 1602, o colono inglês Bartholomew Gosnold chegou no navio Concord, lançando ferro na ilha de Cuttyhunk, ao largo de Cape Cod e reivindicou toda a região. Explorou também florestas e pastos ao longo do estuário de rio Acushnet, onde New Bedford acabaria por vir a localizar-se. Mas o próprio Gosnold voltou a partir e estabeleceu-se na colónia de Jamestown, na Virgínia, tendo os índios Wampanoag ficado como únicos habitantes da região durante mais de meio século. Em 1652, colonos de Plymouth adquiriram, pela mão do chefe Massasoit, o controlo de 46,575 hectares ao longo da costa sul de Massachusetts, tendo encarado a transação como definitiva, pela parte dos Wampanoags. No entanto, a reivindicação de Plymouth viria a ser posta em causa pela tribo, alegando que à data da transação não se havia mencionado um transferência definitiva de propriedade, mas apenas uma transmissão dos privilégios de caça, pesca e agricultura. O governo da colónia, constituído em 1664, abrangeu então as cidades de Acushnet, Dartmouth, Fairhaven, New Bedford e Westport. A economia era maioritariamente agrária – umas poucas e dispersas vilas, auto-suficientes, baseadas na pesca e na agricultura. Uma zona conhecida como Bedford Village, na margem oeste do rio Acushnet, tornou-se o eixo comercial e, em meados do sec. XVIII tinha já desenvolvida uma modesta indústria baleeira (em muito criada sob a visão de Joseph Russell) e uma pequena rede de trocas comerciais com o estrangeiro. Na década de 1760, uma sucessão de eventos começou a desenvolver estas bases iniciais – exactamente quando a guerra franco-indígena estava a terminar, a guerra colonial entre Inglaterra e França, na qual os ingleses ganharam o controlo do Canadá, começou. Em 1760 Joseph Loudon, um calafetador de navios, adquiriu um terreno na zona ribeirinha de Acushnet, no qual estabeleceu um estaleiro. Benjamin Taber estabeleceu-se perto como construtor de navios e John Allen, carpinteiro, construiu uma casa que vendeu a Barzillai Myrick, um carpinteiro naval. Em 1762, Gideon Mosher, mecânico e Elnathan Sampson, ferreiro, tinham-se também estabelecido na zona, estando assim formado o núcleo de uma comunidade marítima versátil que rapidamente viria a atrair alguns dos mais enérgicos empreendedores da Nova Inglaterra – os comerciantes baleeiros de Nantucket.

 

A ascenção de New Bedford

Em meados do sec. XVIII, Nantucket emergiu como o porto baleeiro mais vigoroso do mundo, com uma frota substancial dedicada exclusivamente à captura de cachalotes e baleias francas em mar alto e uma bastante desenvolvida rede de comerciantes e marinheiros ligados à baleação. No entanto, enquanto os habitantes de Nantucket eram, eles próprios, os proprietários e comandantes dos barcos, era um cartel de comerciantes de Boston, Newport e Providence que controlava a apanha, refinava o óleo, manufaturava as velas feitas de espermacete e fixava os preços para o óleo e os ossos. O cartel monopolizava inclusivamente as rotas de exportação costeiras e estrangeiras que colocavam os produtos americanos no mercado. Na década de 1760, alguns dos mais proeminentes comerciantes ligados à baleação, Joseph Rotch e o seu filho William, tal como algumas famílias Quaker de Newport, a família Howland e a família Rodman, deixaram de concordar com o monopólio do cartel e manifestaram-se contra, relocalizando os seus negócios para a pequena vila de Acushnet. Continuaram então a organizar as suas viagens de caça à baleia, tendo no entanto começado a refinar o óleo e a manufaturar as velas de espermacete, por si próprios. Desenvolveram também uma rede de impor-expor independente, um pouco por toda a costa e nos dois lados do Atlântico. Foi com base nesta rebelião, nas vésperas da Revolução Americana, que New Bedford foi realmente fundada e que o seu futuro foi delineado como um porto chave na baleação. A indústria baleeira foi virtualmente encerrada durante a Revolução em si; as tropas americanas chegaram mesmo a marchar pela King Street – mais tarde, simbolicamente, renomeada Union Street – pegando fogo a lojas e armazéns. Depois, com muitas das fortunas antes existentes dizimadas e com Nantucket a sofrer a perda das famílias Loyalist, que emigraram para territórios ingleses, a habilidade, a experiência e a perspicácia dos Rotch e dos Rodman, asseguraram que New Bedford acabasse por crescer e se tornasse um porto proeminente entre todos os outros.

 

A “Idade Heróica”

Antes da Revolução, as colónias americanas usufruiam do estatuto de ”most favored nation” entre a rede de comércio marítimo inglesa. Com a independência, perdeu-se esse estatuto. Os americanos tiveram que procurar novos mercados comerciais, novos parceiros e novas rotas marítimas para escoar os seus produtos, para importar outros e sustentar a economia nacional. O historiador Robert Albion chamou a esta era a “Idade Heróica” do comércio ianque, caracterizada pela inovação, alto risco e espetaculares potenciais lucros. O óleo de baleia e as velas de espermacete estavam entre os poucos tipos de mercadorias que os americanos podiam produzir em quantidades suficientes para os mercados doméstico e estrangeiro; assim, a indústria baleeira cresceu rapidamente durante esta “idade heróica” e New Bedford também. Apesar dos revés durante a Guerra de 1812 – as guerras napoleónicas, durante as quais os ingleses bloquearam a costa, bombardearam cidades na Nova Inglaterra, queimaram o capitólio e anularam todo o comércio marítimo americano – a indústria baleeira recuperou rapidamente. A frota aventurava-se cada vez para mais longe, chegando agora ao Pacífico e ao Oceano Índico, na perseguição do grande animal e a pesca costeira produzia cada vez mais prosperidade em terra.

 

A influência Quaker

As famílias de comerciantes que tinham vindo de Nantucket para New Bedford, em 1760, trouxeram não só a sua experiência mas também as tradições Quaker que tinham adoptado na ilha. Estas tradições influenciaram profundamente as relações comerciais e sociais durante a época da baleação e depois. Os homens de negócios Quaker praticavam um sistema de emprego fundamentalmente igualitário que (à semelhança do que acontecia na ilha) tendia a acolher pessoas hábeis, não interessando a raça ou o credo. O ambiente de tolerância que vigorava, encorajava o abolicionismo e fez de New Bedford um refúgio para escravos e um destino para imigrantes esperançosos, trabalhadores de fábricas provenientes de grandes cidades e agricultores de zonas do interior rural. Havia trabalho para todos na cidade dos estaleiros, das lojas, das fábricas e dos navios baleeiros. Entretanto, os negócios Quaker que uniam prosperidade a estabilidade atraíam capital, solidificavam as relações comerciais com Nova Iorque e Boston e estabeleciam sólidas relações comerciais e sociais com a próspera comunidade Quaker de Filadélfia. Estas relações vingaram durante várias gerações, durante todo o sec. XIX, produzindo capital adicional, promovendo o primeiro caminho-de-ferro de New Bedford (1838) e resultando enfim numa ligação crucial entre a linha ferroviária e o carvão, que viria a servir a região generosamente, mesmo depois do declínio da caça à baleia e de a manufatura se tornar o ganha-pão da cidade.

 

O novo caminho-de-ferro

Taunton, Massachusetts, a base do condado de Bristol onde New Bedford está situado, era já no início do sec. XIX, uma importante cidade manufatureira, especializada em fundição de ferro. (Estas indústrias formaram a base do que mais tarde veio a ser a maior indústria de Taunton: a produção de locomotivas a vapor de alta qualidade e maquinarias afins). Na década de 1830, a então existente ligação de caminhos-de-ferro a Providence, Rhode Island, fazia de Taunton um vantajoso elo entre New Bedford e os mercados de Boston e Nova Iorque. A New Bedford & Taunton Railroad, criada in 1838, foi construída quase inteiramente com recursos de New Bedford e capital de New Bedford e foi a primeira empresa industrial de New Bedford a ser financiada por subscrição pública (como somente bancos, corretoras e companhias de seguros tinham feito no passado). Cerca de 2505 ações foram vendidas a 205 investidores em New Bedford, somadas a cerca de 50 ações vendidas em Boston e Nova Iorque, que inicialmente geraram um capital de 293.000 dólares para a empresa. Inaugurada em 1840, a linha ferroviária expandiu-se pela cidade ao longo da orla marítima, abrindo caminho para os futuros molhes e pequenos cais, refinarias de óleo de baleia, moinhos de farinha e fábricas de têxteis que acabariam por cercá-la de ambos os lados. Desde a sua implementação, a empresa cobrava taxas mais baixas e fazia descontos atraentes para atrair contratos de frete muito diferentes dos dos cargueiros marítimos que até então tinham carregado todos os produtos de New Bedford para o mercado. À medida que o século avançava, o crescimento significativo da manufactura e a crescente necessidade de matérias-primas, ferro e carvão que a indústria exigia, tornavam a ligação ferroviária cada vez mais indispensável. Em 1883, a Philadelphia & Reading Coal & Iron Company, mais conhecida como Reading Railroad, escolheu um local em New Bedford, na orla marítima, para a sua maior filial – um depósito ferroviário e de carvão e local onde se faria a junção terra-mar de navios e comboios.

 

A capital baleeira do Mundo

Em 1838 a ligação ferroviária a Taunton e Providence foi terminada e a vantagem continental de New Bedford sobre Nantucket foi assegurada. New Bedford foi formalmente declarada como cidade em 1847, tempo em que seus navios e barcas faziam viagens de dois, três ou até mesmo quatro anos em busca de cachalotes, baleias francas, baleias-da-groenlândia, baleias jubarte e baleias cinzentas em, praticamente, todos os cantos do Mundo. New Bedford tinha ultrapassado Nantucket, Londres e todos os outros portos baleeiros quer no tamanho e tonelagem da sua frota quer no valor da sua pesca. No seu auge, em 1857, as frotas de New Bedford, Fairhaven e Westport totalizavam 447 navios, barcas e escunas, um total de 130.625 toneladas, perfazendo 64% da tonelagem total de caça à baleia americana e 59% do valor de toda a captura americana. Isto representava perto de metade de toda a caça à baleia do mundo. Nesse ano, a baleação empregou 9.700 marinheiros, para além de sustentar toda uma galáxia de indústrias costeiras suas dependentes – construção naval, tanoaria, velaria, ferreiros, apetrechos para os navios, abastecimento, fabrico de cordas, carpinteiros e marceneiros, fabrico de bombas de água, moagem de farinha, refinarias de óleo e fabrico de velas de espermacete; negócios aos quais acresciam corretoras, agentes de recrutamento, pensões, hotéis, teatros, padarias, alfaiates, comerciantes, estivadores e transportadores. Toda esta prosperidade resultou numa profusão de bancos, edifícios públicos, escolas e igrejas; a colina acima da cidade era agraciada com belas casas e a zona à beira-mar estava repleta de lojas, armazéns e fábricas. Diversos investimentos, provenientes da riqueza gerada pela caça à baleia forneceram capital para uma série de indústrias, desde caminhos-de-ferro e têxteis até ferramentas, fabrico de carruagens, fabrico de vidro e imobiliárias.

 

A prosperidade de base alargada da baleação ianque

A riqueza proveniente da caça à baleia não se limitava a ficar entre as grandes famílias mercantis que funcionavam como armadores, gerentes e empresários capitalistas; ao contrário, esta foi amplamente distribuída entre as várias indústrias costeiras que apanharam o balanço da onda de prosperidade de New Bedford. Mecânicos e artesãos, que em outras circunstâncias poderiam ser estereotipados como humildes comerciantes, emergiram aqui como líderes comunitários influentes e poderosos capitalistas mercantis. James Durfee, Jr. era um dos muitos ferreiros de New Bedford e fabricantes de artefactos ligados à baleação, que faziam arpões, placas e encaixes de navio com suas próprias mãos e vendiam-nos aos estaleiros. No entanto, também se sentava no Conselho de Curadores de um banco local proeminente, serviu no primeiro Conselho da Cidade depois que New Bedford ter sido declarada cidade, em 1847, e declarou proveitos da sua empresa de mais de 40.000 dólares, em 1859 – dois anos depois de uma grande crise económica mundial. Richard Curtis, marinheiro, deixou uma propriedade 185.000 dólares, em 1890, uma enorme quantidade de riqueza, a um comerciante humilde na época. Em 1900, o fabricante de velas John R. Shurtleff – cujo antecessor, Simpson Hart, já se havia sentado no Conselho de um banco e de uma companhia de seguros – deixou uma propriedade superior a 225.000 dólares. Esse sucesso económico foi acumulado, gradualmente, através da transformação de pequenas em grandes empresas e partilhando o risco das viagens de baleação – por exemplo, aceitando uma participação no lucro de uma viagem, em vez de exigir um pagamento direto, por velas, cordas, ou artefactos baleeiros. Estes números devem ser interpretados para refletir os níveis proporcionais de produtividade e emprego na indústria baleeira em geral. Muito tempo antes, no sec. XVIII, Paul Cuffe de Westport, filho de um pai escravo e mãe índia, alcançou a independência, uma riqueza considerável e uma certa fama por transformar um negócio de construção de pequenos barcos numa rede cada vez mais ampla de caça à baleia, comércio e navios. Ao mesmo tempo, foi criando empregos e, assim, auto-suficiência para outros de ascendência africana e indígena. No século XIX, o comércio baleeiro e a sua rede de indústrias costeiras proporcionavam oportunidades idênticas para pessoas de cor – não apenas os marinheiros, mas também os artesãos e comerciantes. Shipsmith Lewis Temple, também filho de escravos nunca registou a patente do seu arpão revolucionário e assim perdeu a maior parte da riqueza que poderia ter sido dele e que foi para outros, entre eles, o seu concorrente James Durfee. Muito antes da Proclamação de Emancipação, Lewis Temple trabalhava por conta própria, no seu pequeno negócio. O seu filho, que foi aprendiz de ferreiro na empresa Dean & Driggs, em New Bedford, foi mais tarde, igualmente, um empreendedor independente, bem como um popular e bem sucedido barbeiro, na cidade.

 

Declínio da Baleação Ianque

A partir da década de 1860, a indústria baleeira americana sofreu um declínio gradual. Década a década, o valor do óleo de baleia foi diminuindo, menos navios foram enviados para o mar, menos homens se alistaram nas tripulações, menos fortunas foram feitas e menos meios de subsistência dependiam da proeza baleeira americana. Simultaneamente, a partir da década de 1860, o empresário norueguês Svend Foyn desenvolveu uma nova tecnologia mecanizada de caça às baleias que resultaria num enorme aumento de baleias apanhadas em todo o Mundo. As razões geralmente apresentadas para justificar o declínio da caça à baleia ianque, não têm, normalmente, em conta o aumento simultâneo da tecnologia baleeira “moderna” da Noruega. Para mais informações sobre este tópico, veja: Visão geral da baleação da América do Norte.

 

A Revolução Industrial e a classe industrial mundial

Ainda antes de a indústria baleeira começar a vacilar, a diversificação do capital ia criando novos espaços para a prosperidade e o emprego. A Wamsutta Company, fundada nas margens do rio Acushnet em 1846 e inaugurada em 1848, foi a primeira de muitas fábricas têxteis que, gradualmente, vieram a superar a caça à baleia como o principal empregador em New Bedford. A Potomska Mills abriu em 1871 – no mesmo ano em que ocorreu o grande desastre da caça à baleia no Ártico Ocidental – e várias outras empresas têxteis se seguiram. Na década de 1870 o fabrico de têxteis de algodão fazia sombra ao protagonismo económico e à reputação internacional da indústria baleeira. Em 1875, a Wamsutta sozinha rendeu 19 mil fardos de algodão em 20 milhões de jardas de pano, uma produção com um valor por atacado aproximadamente igual ao de toda a captura baleeira. Entre 1881 e 1883, o número de fábricas em New Bedford, duplicou. Uma explosão semelhante de expansão ocorreu, depois, durante 1887-89. Entre 1880 e 1890 sete novas empresas entraram em campo e na década seguinte, outras sete. Enquanto isso, a Wamsutta Mills expandiu-se várias vezes, até 1892, com um total de sete fábricas. Wamsutta chegou a ser a maior fábrica de tecelagem de algodão do Mundo. Em 1897, a Wamsutta operava 4450 teares e empregava 2100 trabalhadores. Em 1907, New Bedford abrigava 25 empresas de fabrico de têxteis que operam dois milhões de eixos em 50 edifícios diferentes, com outras 14 fábricas em construção. Entretanto, uma grande variedade de outras indústrias ia crescendo: a New Bedford Gas Company em 1853; a primeira fábrica de laminação de ferro da cidade, a Gosnold Iron Mill, em 1856; e, em 1860, a New Bedford Coal Oil Company, que produzia revestimentos, fixações de latão e rolos para padrões de impressão em algodão de chita. A Morse Twist Drill Company, fundada pelo inventor-empresário Stephen Ambrose Morse em 1864, introduziu a maravilhosa invenção da qual a empresa recebeu o seu nome. A partir de certa altura, ramificou-se para o fabrico de outros tipos de produtos como lâminas industriais, cortadores e alavancas, fresas, tornos, medidores e outras ferramentas. A New Bedford Cordage Company, fundada em 1842 para fornecer todos os tipos de corda e linha para a caça à baleia, expandiu-se realmente com a explosão destas novas indústrias e das muitas encomendas de cordas, que recebeu. Em 1888, as infraestruturas de produção da empresa cobriam quatro acres com uma fábrica que funcionava com uma instalação a vapor de 500 cavalos, empregava 250 pessoas e incluía entre os seus produtos, cordas de alta qualidade para os iates privados que, tanta prosperidade, fazia estarem na moda nos escalões superior e médio da sociedade da Nova Inglaterra. Após a Guerra Civil, com a indústria baleeira ultrapassada, New Bedford tornou-se quase tão famosa pelo fabrico de vidro de arte como o tinha antes sido pela caça à baleia. A New Bedford Glass Company, fundada em 1866, foi a pioneira, seguida pela Mount Washington Glass Works, que se mudou para New Bedford, de Boston, em 1870; a Smith Brothers, fundada por Harry e Alfred Smith em 1873; Samuel R. Bowie, que esteve no negócio por apenas alguns anos (1876-82); e a mais conhecida de todas, a Pairpoint Manufacturing Company, que foi fundada em 1880 e, acabou por se fundir com a Mount Washington, em 1894. A empresa empregava 1000 trabalhadores em 1900. Os produtos de vidro, outro componente da nova “indústria de arte” de New Bedford, eram principalmente objetos decorativos e funcionais para uso doméstico, como candeeiros com tons florais ou sombras pictóricas, garrafas, jarros e recipientes de servir, de vidro cortado ou soprado. A Charles Taber Company, que começou como papelaria, publicou com sucesso padrões, fotografias, vistas estereoscópicas e calendários e produziu quadros e outros objetos de madeira e marfim falso. A eletricidade chegou à cidade pela mão da New Bedford Edison Illuminating Company, criada em 1884, fazendo chegar corrente DC em 1886 e pondo a funcionar, em 1889, oito dínamos que funcionavam a vapor, produzindo 375 a 435 cavalos de potência. As companhias de gás e elétricas foram consolidadas em 1890. Em 1897 New Bedford tinha 200 candeeiros de rua, mais de 20.000 lâmpadas incandescentes em casas e edifícios particulares e motores elétricos que totalizavam cerca de 300 cavalos. A enorme procura de gerentes, mão-de-obra qualificada e trabalhadores de fábricas comuns que essas indústrias exigiam, excedia a capacidade local da região. A imigração do exterior, a migração de outras partes dos Estados Unidos e o recrutamento de técnicos especializados contribuíram para um aumento dramático na população da cidade, de 15.000 para 60.000 em duas gerações. Este agregado tornou-se uma fértil rede de oportunidades sempre em evolução: homens treinados, como ferreiros, tornaram-se construtores de carruagens e, mais tarde, mecânicos de automóveis e maquinistas; maquinistas que tinham aprendido a ser operadores de máquinas em fábricas, formaram empresas fundidoras de ferro envolvidas no fabrico de máquinas para as fábricas, treinando homens que se iniciavam na construção de motores. Os fabricantes vendiam as suas máquinas a proprietários de fábricas que contratavam mecânicos para instalá-las, para mantê-los e para repará-las e engenheiros para gerir a fonte de alimentação de energia. As indústrias florescentes construíam fábricas para os seus negócios em expansão, o que, por sua vez, exigia ter à disposição o habitual conjunto de bens de consumo, serviços de natureza civil, igrejas, escolas e entretenimento público. New Bedford já não era uma cidade de uma indústria só.