Artistas de New Bedford

A New Bedford de Melville

“O sítio mais simpático para viver, em toda a Nova Inglaterra.”

 

Uma cidade civilizada

Quando Herman Melville chegou, em Dezembro de 1840, New Bedford estava no auge da sua prosperidade. No seu romance  Moby Dick, Melville escreveu “. . . em parte alguma da América do Norte se encontram casas mais luxuosas e jardins e parques mais opulentos que em New Bedford. De onde saíram? … Sim, todas essas casas altaneiras, todos esses jardins floridos saíram do oceano, quer do Atlântico, quer do Pacífico, quer do Índico. Foram arpoadas e arrastadas, uma por uma, desde o fundo do mar.”

Lucros da baleação para os dotes

New Bedford era uma cidade onde um pai poderia usar o lucro de uma viagem de caça à baleia para o dote da sua filha e acender as caras velas de espermacete no seu casamento. Longas avenidas eram projetadas, com mansões e magníficos carvalhos. Perto da orla marítima, estaleiros, banqueiros, corretores,  comerciantes, ferreiros, pedreiros, refinadores de óleo e muitos outros ligados ao comércio da baleação, floresceram.

“Um canibal a cada esquina”

As ruas ofereciam, frequentemente, aos seus visitantes algumas surpresas. Melville escreveu “…canibais autênticos, a conversar nas esquinas das ruas; selvagens sem tirar nem pôr, muitos dos quais carregam ainda sobre os ossos uma camada de carne pagã”. Melville talvez tenha baseado o personagem Queequeg, um arpoador no Pequod em Moby Dick, nos imigrantes das ilhas do Pacífico que viu em New Bedford. Estes, muitas vezes, zarpavam a bordo de navios baleeiros  que parassem nas suas ilhas.

 

 

Seamans Bethel as seen through Whaling Museum window

A capela Seamen’s Bethel, aqui como se vê do Museu da Baleia de New Bedford, é do outro lado da rua e está aberta para visitas.

 

A capela dos baleeiros

Melville visitou  a Seamen’s Bethel antes de zarpar no navio baleeiro Acushnet, em Janeiro de 1841. Quando Ismael, o narrador de Moby Dick, entra na capela, repara numas “lápides de mármore com ombreiras negras, incrustadas nas paredes que flanqueavam o púlpito”. Eram homenagens a homens que haviam morrido no mar. “É desnecessário explicar com que sentimentos eu analisava aquelas lápides de pedra, na própria véspera da minha partida para Nantucket, lendo na penumbra do dia sombrio os nomes e os destinos dos baleeiros que me tinham precedido. Sim, Ismael, pode muito bem suceder-te o mesmo.” pensou o narrador de Melville.

 

Artistas e artesãos

 Oil on canvas by Clifford Ashley

The Cape Verde Packet.”

Óleo em tela por Clifford Warren Ashley.

Artistas e artesãos têm sido uma presença constante em New Bedford desde o sec. XVIII. O seu trabalho reflete, normalmente, as mudanças no estilo de vida de uma vila que se tornou na capital da baleação da América.

De agricultores artesãos a marceneiros profissionais

No período colonial os agricultores da área de New Bedford eram, muitas vezes, marceneiros em part-time. Mas nos finais do sec. XVIII, a indústria baleeira havia já produzido uma classe de comerciantes abastados, que podia pagar artigos feitos por marceneiros e relojoeiros profissionais, que começaram a publicitar os seus serviços no jornal local cerca de 1799.

Mansões Extraordinárias

Casas magníficas eram construídas em New Bedford nas décadas de 1820 e 1830, simbolizando os lucros provenientes do comércio ligado à baleação.

Durante o sec. XIX, mais de 200 artesãos estavam envolvidos na manufactura de mobília em New Bedford,  recheando as grandes casas com a sua mobília. Prosperaram ao mesmo ritmo que a sua cidade e ganharam a reputação de marceneiros de uma qualidade excepcional.

De acordeões a relógios de pé

Os registos históricos demonstram a variedade de marceneiros activos na cidade durante a idade de ouro da baleação:

  • Fabricantes de armários
  • Fabricantes de cadeiras
  • Fabricantes de cómodas e arcas
  • Relojoeiros
  • Douradores
  • Armeiros
  • Fabricantes de molduras e de espelhos
  • Fabricantes de acordeões
  • Polidores
  • Estofadores

Arcas para os marinheiros

Os marceneiros de New Bedford especializaram-se na manufactura de arcas para os navios, que eram, muitas vezes constituídas por 6 placas de pinho.Eram vendidas a milhares de homens, que as usavam para levar os seus pertences nas viagens de caça à baleia.

 

Um paraíso para pintores

Alguns dos mais talentosos pintores da América viveram e trabalharam em New Bedford, especialmente durante a segunda metade do sec. XIX:

oil painting by Clifford Ashley 

Clifford Warren Ashley (1881-1947), natural de New Bedford, foi escritor e pintor. Em 1904, testemunhou uma viagem de caça à baleia, a bordo do navio Bark Sunbeam, sobre a qual escreveu para a Harper’s Monthly Magazine e no seu próprio livro The Yankee Whaler. Enquanto pintor, registou cenas nas ilhas da Buzzards Bay, em Cape Cod, e ao longo da orla marítima de New Bedford.

Oil on canvas by Albert Bierstadt 

Albert Bierstadt (1830-1902), natural da Alemanha, veio viver para New Bedford quando tinha apenas dois anos de idade. Tornou-se conhecido pelas suas vastas telas sobre o Oeste Americano. Nos últimos anos da sua vida artística, dedicou-se também à pintura de animais selvagens da América do Norte.

 Oil painting by William Bradford

William Bradford (1823-1892), natural de Fairhaven, pintou quadros de navios baleeiros no porto de New Bedford, antes de se dedicar ao desenho e fotografia em Labrador e no Ártico. Pintou também paisagens americanas em lugares como as montanhas da Sierra Nevada e Yosemite.

oil painting by Charles Henry Gifford

Charles Henry Gifford (1839-1904) nasceu e morreu em Fairhaven. Apesar dos seus pais o encorajarem a tentar carpintaria ou a arte de sapateiro, acabou por se tornar um famoso pintor de cenas marítimas. Aos 12 anos, foi fortemente influenciado ao ver uma exposição de trabalhos de Albert Bierstadt.

painting by Robert Swain Gifford 

Robert Swain Gifford (1840-1905), nascido numa ilha de Buzzard’s Bay, estudou com  Albert Van Beest (ver abaixo) e tornou-se um pintor de paisagens. Viajou bastante pela Europa e África e fez carreira como professor nas escolas da Cooper Union, em Nova Iorque.

painting, section of Panaorama panel by Benjamin Russell & Purrington 

Benjamin Russell (1804-1885), serviu como timoneiro no navio baleeiro e pintou cenas de baleação e quadros de navios quando regressou a casa. Colaborou com Caleb Purrington na obra Panorama of a Whaling Voyage ‘Round the World,’ que faz agora parte da coleção do Museu e criou também, tendo também criado algumas paisagens e cenas domésticas. .Saiba mais…

Oil painting by Albert Pinkham Ryder 

Albert Pinkham Ryder (1847-1917), nascido em New Bedford, foi um dos mais destacados pintores da história da arte americana. Um homem introspectivo, pintava inspirado nas suas visões interiores em detrimento da natureza. Retocava constantemente os seus trabalhos, pelo que apenas 165 são conhecidos.

 section of oil painting by Clement Nye Swift

Clement Nye Swift (1846 – 1918), nasceu e morreu em Acushnet, Massachusetts. Foi, em primeiro lugar, um aspirante a pintor de animais e viajou no estrangeiro para estudar o estilo da pintura francesa. O seu trabalho foi especialmente aclamado e chegou a expor no famoso Salão de Paris entre 1872 e 1881. Também escreveu poesia – em particular, poemas publicados no New Bedford Standard a 27 de Agosto de 1916:  “The Ship that Never Will Sail”, elogiando a construção do modelo do navio Lagoda que está no Museu da Baleia.

 painting by Dwight Tryon

Dwight Tryon (1849-1925), natural de Hartford, Connecticut, passava as suas férias de Verão em South Dartmouth e foi associado ao tonalismo e ao quietismo. Criou paisagens líricas e subtís.

 

section of painting by Albert Van Beest 

Albert Van Beest (1820-1860), nascido na Holanda, colaborou durante três anos com William Bradford (ver acima). Um talentoso artista marítimo, Van Beest era particularmente talentoso na captura de cenas dramáticas envolvendo navios e tempestades.

section of oil painting by William Allen Wall


William Allen Wall
(1801-1885), que nasceu e morreu em New Bedford, veio do seio de uma família Quaker. Depois de tentar as artes de relojoeiro, estudou pintura na Europa e regressou a New Bedford para pintar retratos, paisagens e  temas históricos, produzindo um importante espólio pictórico da sua cidade natal.