Fotografia sem data do General Scott
Accession #2000.100.664

Cada peça da Biblioteca tem sua própria história única para contar, e nós convidamo-lo a debruçar-se sobre alguns dos milhares de materiais e ouvir os seus contos através de Saído Do Cofre do Museu, uma exposição digital rotativa, que realça um tesouro diferente da Biblioteca, de cada vez.

Entre os vários artigos doados à Biblioteca de Pesquisa em 2009 por Deborah, Hannah e Christine Sistare estão cinco cartas escritas por um capitão baleeiro do Século XIX para sua esposa. O capitão Burr Sistare, de New London, Connecticut, escreveu estas cartas de diversos portos de escala, incluindo o Faial, Cabo Verde e Talcahuano, nos anos de 1845 a 1847. A sua rica correspondência revela um marido profundamente religioso e dedicado ao comando de uma viagem de baleação, marcada por uma infeliz partida do destino.

Uma vez ao comando do navio General Scott, durante a viagem de 1845,  o capitão Sistare descreve os acontecimentos típicos que um capitão espera encontrar enquanto se encontra a bordo de uma viagem de baleação, incluindo deserções, doenças e roubos. Sistare descreve ainda as dificuldades em capturar baleias durante uma época particularmente pouco próspera, descrevendo a sua viagem como “falida” e afirmando  “eu fiz tudo ao meu alcance para encher o navio”.

O Capitão Sistare nunca se esquivou de mostrar o seu desdém pela caça à baleia, enquanto expressava seu afeto eterno pela sua esposa e filhos em casa em New London, Connecticut.

Sistare, um homem profundamente piedoso, demonstra em cada uma de suas cartas uma fé inabalável e reverência pela sua religião, observando o dia de descanso com sua tripulação e muitas vezes invocando o nome do Senhor, orando para que ele trouxesse ao General Scott uma abundante captura nesta viagem e guiasse Sistare a casa com segurança.  A sua afeição pela família também se destaca, como a sua adoração, que muitas vezes se justapõe diretamente ao desdém pela baleação, à luz da pouco produtiva viagem do General Scott. Talvez o exemplo mais notável seja quando escreve a Abby, a 15 de novembro de 1846, logo depois de descobrir que o seu filho, George, pretende entrar na indústria baleeira. Sistare afirma: “Lamento ouvir que George pensa em ir para o mar. Espero que ele pense melhor nisso”.

O General Scott regressou a porto em 27 de março de 1848, mas o capitão Sistare, tendo morrido tragicamente na viagem de regresso, nunca viveu o alegre reencontro com a sua esposa e família, com que ele tanto sonhava. A carta de Sistare, de 12 de janeiro de 1847, a Abby adverte, estranhamente, sobre esta reviravolta dramática quando escreve: “Rezo a Deus, na sua bondade, para que nos permita encontrar-nos uma vez mais neste mundo e em saúde, pois não há ninguém a quem olhar senão a Ele, e tudo o que eu peço é que possa viver para voltar a casa mais uma vez.” Sistare escreveu estas palavras sinceras, enquanto em “plena saúde”, desconhecendo o destino trágico que esperava por ele.

Foto acima demonstra o envelope em que Abby e seus filhos religiiosamente guardaram a última carta de Burr Sistare, em sua memória.

Uma vez que esta coleção contém apenas as cartas escritas pelo capitão Sistare para sua amada esposa, é impossível ler como Abby ansiava pelo seu marido, enquanto ele estava no mar, ou sentir a sua tristeza depois de receber a notícia da sua morte. No entanto, a carta final do Capitão Sistare, datada de 1 de dezembro de 1847, lança alguma luz sobre como Abby e os seus filhos enfrentaram a dor desta tragédia. No topo desta carta aparecem as palavras “A última carta que a mãe recebeu de seu pai – A.S.” As iniciais representam Abby Sistare, provando que ela e os seus filhos guardarm esta carta como uma memória duradoura e permanente do seu capitão falecido.

Enquanto os livros de história contam um conto pleno de perda de tristeza, esta coleção fornece evidências de um amor duradouro, rompido pela distância e pela morte, concedendo-lhes uma qualidade intemporal que durará por inúmeras gerações vindouras. A Biblioteca de Pesquisa abriga mais de 120 coleções distintas de manuscritos e a história de Burr Sistare oferece apenas um exemplo dos milhares de histórias únicas e interessantes armazenadas nos cofres da Biblioteca.

 

Se quiser debruçar-se mais detalhadamente sobre este assunto, entre em contato com Mark Procknik na Biblioteca (508) 997-0046 ext. 134, para agendar uma consulta.