Retrato do Capitão Edmund Gardner, ca. 1840. Accession #1992.10.2

Cada peça da Biblioteca tem sua própria história única para contar, e nós convidamo-lo a debruçar-se sobre alguns dos milhares de materiais e ouvir os seus contos através de Saído Do Cofre do Museu, uma exposição digital rotativa, que realça um tesouro diferente da Biblioteca, de cada vez.

O navio Union partiu de Nantucket a 19 de setembro de 1807. Doze dias depois, uma baleia atingiu o navio em alto mar. Como o navio começou a afundar, a tripulação foi forçada a abandoná-lo  e a salvar-se nas barcas baleeiras. Durante os sete dias seguintes, a tripulação navegou 600 milhas até finalmente chegar aos Açores. O capitão Edmund Gardner (1784-1875) registou os acontecimentos desta viagem feroz de baleação e seu diário serve como um dos muitos contos interessantes na coleção da biblioteca.

Gardner escreve, no dia 1 de Outubro, que o Union navegava a sete nós, quando  “atingiu ma baleia, supostamente um cachalote” no lado estibordo do navio, às 10:00 pm. Ouvindo a água a entrar no seu navio, Gardner desceu para inspecionar os danos e logo depois determinou que o dano não poderia ser reparado. A única opção disponível para Gardner era abandonar o navio. Então, à meia-noite, depois de dar a ordem calmamente, Gardner e sua tripulação baixaram as baleeiras do navio e navegaram para leste em direção aos Açores, chegando finalmente às Flores a 8 de Outubro. Embora o seu abastecimento de água potável estivesse completamente esgotado quando chegaram às Flores, Gardner e sua tripulação sobreviveram à provação sem incorrer na perda de uma única vida.

Na sua entrada correspondente ao dia 10 de Outubro, Gardner escreve sobre eventos contemporâneos, incluindo Napoleão Bonaparte “marchando as suas forças contra Portugal.”

 

Embora não tão notável como o encontro infame de Essex com um cachalote, a infeliz morte do Union ganhou uma respeitável fama nos anais da caça da baleia, sendo que atéIshmael, o narrador de Moby-Dick de Herman Melville, faz uma referência direta ao naufrágio do Union. Ishmael afirma no capítulo 45 que “o navio Union de Nantucket foi, no ano de 1807, totalmente perdido ao largo dos Açores, por um episódio semelhante, apesar de nunca ter encontrado detalhes autênticos desse encontro, tenho ouvido de caçadores de baleias, de vez em quando, alusões casuais.” Embora a batalha do Pequod com Moby Dick fosse muito mais dramática, o relato de Gardner ainda merece ser mencionado, pois fornece mais evidências  que as baleias, de facto, afundaram navios.

Devido ao fim abrupto da viagem de baleação, o diário de Gardner contém menos entradas que se poderia esperar de uma típica narrativa baleeira. Em vez disso, Gardner documenta o tempo que ele e a sua tripulação passaram nas baleeiras abertas enquanto navegavam para leste em direção às Flores. Já nos Açores, Gardner continua a manter o seu diário e regista as suas várias experiências. Em 18 de Novembro, Gardner viajou para o Faial, onde visitou igrejas, o mercado e desfrutou de um passeio pela praia. A beleza absoluta da ilha teve grande impacto em Gardner, tendo posteriormente comentado  as árvores como as “mais deliciosas” enquanto passeava por um laranjal em 23 de Novembro. O tempo passado por Gardner no Faial terminou no dia 11 de Dezembro, quando embarcou numa brigue a caminho dos  Estados Unidos.

A Biblioteca orgulha-se de possuir a maior coleção de diários de bordo de baleação e pessoais do mundo e a narrativa de Gardner é apenas um exemplo dos milhares de histórias únicas e interessantes armazenadas na Biblioteca. Se quiser debruçar-se mais detalhadamente neste ou em qualquer outro diário baleeiro, entre em contacto com Mark Procknik na Biblioteca, (508) 997-0046 ext. 134, para agendar uma pesquisa.