Interpretação do artista japonês do navio Manhattan, pintado em 1845 Registo #1981.62.1

ada peça da Biblioteca tem a sua única própria história para contar e nós convidamo-lo passar os olhos por alguns dos milhares de materiais e ouvir as suas histórias através do projeto “Saído do Cofre” do Museu, uma exposição digital com tesouros da coleção da Biblioteca.

Mercator Cooper, c. 1835 Registo #1983.45.1

Doado à Biblioteca em 1983 por Mercator Cooper Kendrick, o diário mantido a bordo do navio Manhattan (viagem de baleação 1843-1846) representa uma valiosa documentação, em primeira mão, num capítulo importante e pouco conhecido sobre as relações Americano-Japonesas. Sob o comando do Capitão Mercator Cooper, o navio Manhattan realizou apenas uma viagem de baleação, partindo de Sag Harbor, Nova Iorque, antes de se juntar à frota comercial. À primeira vista, este diário contém as entradas padrão que se espera de um conto baleeiro típico, incluindo descrições meteorológicas, navios falados e descrições de baleias vistas e capturadas. No entanto, os acontecimentos desta viagem trazem significado não só para os eruditos da baleação Americana e da história marítima, mas também para uma série de outros pesquisadores envolvidos numa ampla variedade de disciplinas.

Começando em 1633 sob o Shogunate de Tokugawa, uma série de diretivas e políticas resultaram na adoção de  uma posição firme, por parte do Japão, de isolamento no contexto dos negócios estrangeiros tendo mesmo sido rigorosamente proibida qualquer entrada de estrangeiros no país.  Este Sakoku, ou período de “país acorrentado”, durou até 1853, quando o Contra-Almirante Matthew Perry abriu, à força, o Japão ao comércio ocidental. Os acontecimentos da viagem do Manhattan ocorreram dentro desse contexto histórico, começando com um encontro aparentemente sem consequências no Oceano Pacífico, dezesseis meses depois do início da viagem.

A nota feita correspondente a 20 de abril de 1845, começa com o japonês enchendo a tripulaçãocom presentes e cumprimentos. No entanto, a política isolacionista do Japão prevaleceu no final.

A 15 de março de 1845, o Manhattan encontrou onze homens japoneses abandonados numa pequena ilha, sobrevivendo apenas com arroz e pequenas quantidades de água roubadas das fendas de várias rochas ao longo da costa. O Capitão Cooper decidiu resgatar esses homens antes de retomar a sua viagem de baleação, uma ação que serviu como prenúncio para uma das mais importantes interações Americanas de Sakoku no Japão.

Um mês depois de resgatar os homens encalhados, o Manhattan navegou para Edo, atualmente Tóquio, centro político do Japão em 1845. A nota de entrada correspondente a 18 de abril de 1845 e descreve 300 barcos japoneses rebocando o Manhattan para uma pequena baía ao sul de Edo antes de cercarem o navio baleeiro. Com o navio americano bem guardado, vários Japoneses subiram a bordo e removeram todas as armas de fogo antes que os membros da nobreza realizassem inspeções pessoais do interior. O Manhattan deixou o Japão quatro dias depois, mas antes da sua partida, os Japoneses ofereceram ao Capitão Cooper e tripulação uma variedade de presentes como arroz, trigo, farinha, madeira, batata doce, rabanetes, frangos e chá. O imperador, através dos seus delegados imperiais, transmitiu os seus cumprimentos ao capitão por salvar os japoneses encalhados. No entanto, depois de estender a sua sincera gratidão, o isolamento Japonês prevaleceu e os representantes do Imperador instruíram o Capitão Cooper para sair e nunca mais voltar.

Um tanto perdidas no meio da descrição da notável viagem do Manhattan ao Japão estão múltiplas referências a vulcões.

Não se pode exagerar na importância da interação entre os Japoneses e os Norte-americanos documentada nas páginas deste diário, mas, tal como outros relatos baleeiros, as observações dos fenómenos naturais também são frequentes nestas páginas e oferecem contribuições valiosas para vários campos académicos diferentes. Enquanto navegava pelo Pacífico, o Manhattan passou por muitos episódios de atividade vulcânica. Não é apenas neste diário que encontramos corretamente documentada, cada observação com a data rigorosa e as coordenadas geográficas precisas, mas o autor inclui mesmo esboços desenhados à mão das erupções, fornecendo um recurso valioso ao estudo do vulcanologia. Este diário, com o seu rico conteúdo multidisciplinar, exemplifica bem como cada peça da Biblioteca pode atrair uma vasta gama de públicos.

A Biblioteca orgulha-se de possuir a maior coleção de diários de bordo e diários de baleação do mundo, e o diário do Manhattan representa apenas um exemplo dos milhares de histórias únicas e interessantes armazenadas nos cofres da Biblioteca. Se quiser passar os olhos mais detalhadamente por este diário baleeiro, manuscritos de Mercator Cooper ou qualquer outro pedaço da coleção da Biblioteca, entre em contato com Mark Procknik na Biblioteca (508) 997-0046 ext. 134, para agendar uma consulta.