Retrato do Capitão John Heppingstone Accession #2000.100.2748

Cada peça da Biblioteca tem sua própria história única para contar, e nós convidamo-lo a debruçar-se sobre alguns dos milhares de materiais e ouvir os seus contos através de Saído Do Cofre do Museu, uma exposição digital rotativa, que realça um tesouro diferente da Biblioteca, de cada vez.

Doado à Biblioteca em Julho de 1977 pela esposa de John H. Matthews, esta peça única de história apela a investigadores e entusiastas da vida marítima. Muito parecido com outros diários de baleação na coleção da Biblioteca, este relato parcial da viagem de 1881 do Fleetwing fornece uma descrição, em primeira mão, do dia-a-dia a bordo de um navio baleeiro do Século XIX, no Ártico Ocidental. No entanto, este diário difere de outros pelo facto de ter sido mantido pela filha do capitão e não por um tripulante.

Barca Baleeira Fleetwing in Port Clarence, Alaska, 1886 Accession #00.200.419.30   

Construída em 1877 em Port Jefferson, Nova Iorque, a barca Fleetwing era ativa na indústria baleeira desde sua primeira viagem de New Bedford em 1877, até ser destruída num acidente no gelo, em Point Barrow, no Alaska a 3 de Agosto de 1888. John Heppingstone serviu como capitão durante as suas primeiras quatro viagens e como muitos outros capitães baleeiros, levou a sua família com ele. Embora cobrindo apenas uma parte da viagem de 1881 do Fleetwing, este diário relata vários eventos vistos através dos olhos da filha do capitão Heppingstone, Adeline.

O diário começa cinco meses depois do início da viagem, a 14 de Abril de 1882, com o Fleetwing e sua tripulação fora de Cape St. Thaddeus, no Alaska e termina sete meses depois enquanto Adeline e a sua mãe se preparam para ir para as Ilhas Farallón, ao largo da costa da Califórnia. Embora não fosse um membro da tripulação, Adeline anotou muito da mesma informação que se esperaria encontrar num diário baleeiro típico. Adeline documenta os portos de escala do Fleetwing e regista, diligentemente, as observações meteorológicas, bem como sinais de gelo nas águas circundantes. Documenta, inclusivamente, o número de barris de óleo que rendeu cada baleia capturada.

No entanto, muitas das anotações da Adeline contêm elementos únicos que refletem a sua experiência como filha do capitão. Em 23 de Abril, Adeline escreve que a tripulação caçou uma baleia, mas teve dificuldade em cortá-la porque era “muito enrugada”.  A sua entrada para o dia seguinte contém uma interessante informação, que não é comum noutros diários de caça à baleia o de bordo. Adeline escreve que enquanto a tripulação fervia a gordura da baleia para a derreter, os seus pais cobriram o sofá “para não se sujar com óleo”. Várias das outras entradas de Adeline abordam aspetos da sua vida pessoal e incluem referências a costura, jantar com outros capitães e passeios no convés com a sua mãe.

A 29 de Abril, enquanto o Fleetwing estava preso no gelo, Adeline passa o seu dia a jogar damas com o Capitão Cogan do Arco-Íris e o Capitão Barker do Mary e Susan. Durante a noite, ela desfruta de uma caminhada no convés com a sua mãe, uma atividade que as duas frequentemente desfrutavam quando o tempo cooperava.  

O diário de Adeline a bordo do Fleetwing fornece um raro vislumbre em primeira mão sobre a vida da família de um capitão baleeiro durante uma viagem de baleação. A Biblioteca orgulha-se de possuir a maior coleção de diários de bordo de baleação e diários de tripulantes no mundo e o diário de Adeline Heppingstone é apenas um exemplo dos milhares de histórias únicas e interessantes armazenadas nos cofres da Biblioteca. Graças aos fundos fornecidos pelo North Pacific Research Board garantidos através da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, agora é possível ver este diário em formato digital através da nossa página de diários de bordo e diários pessoais. Se pretender debruçar-se mais detalhadamente neste ou em qualquer outro diário baleeiro, por favor entre em contacto com Mark Procknik na Biblioteca (508) 997-0046 ext. 134, para agendar uma pesquisa..