Silhouette portrait of Paul Cuffe and his brig, the Traveler

Cada peça da Biblioteca tem sua própria história única para contar, e nós convidamo-lo a debruçar-se sobre alguns dos milhares de materiais e ouvir os seus contos através de Saído Do Cofre do Museu, uma exposição digital rotativa, que realça um tesouro diferente da Biblioteca, de cada vez.

Os documentos de Paul Cuffe, 1759-1817, coleção Mss # 10 nos arquivos do Museu, consistem em materiais ricos, que abrangem o período 1811-1828. Cuffe, um dos Afro-Americanos mais influentes da sua época, teve uma carreira de sucesso como comerciante, baleeiro e capitão de mar. Além das suas realizações comerciais, Cuffe juntou-se à Society of Friends e estabeleceu a primeira escola racialmente integradora, na cidade de Westport, Massachusetts. Filho de um escravo libertado em 1759, estava bem ciente das pobres condições sociais que os Afro-Americanos enfrentaram durante os Séculos XVIII e XIX. Esta preocupação motivou a sua primeira viagem à África Ocidental em 1811, para avaliar a colónia britânica de Serra Leoa, como uma área potencial para os escravos libertados se realojarem. Cuffe regressou à Serra Leoa cinco anos depois, levando 38 Afro-Americanos para a colónia.

A maior parte dos artigos nesta coleção consiste em correspondência de Cuffe, iluminando a sua vida e carreira durante os anos 1812-1816. Este período na vida de Cuffe marcou uma ocasião importante na história Afro-Americana, à medida que ele fornecia o transporte de escravos libertados e suas famílias para a Serra Leoa. Assim, esta coleção contém várias cartas dos Afro-Americanos, que escrevem a Cuffe indagando sobre a passagem para a África.

Esta mensagem, escrita por Stephen Wamsley de Providence, Rhode Island, é uma das várias cartas desta coleção de Afro-Americanos a respeito da passagem para a África.

Em Dezembro de 1815, Paul Cuffe partiu para a Serra Leoa com 18 adultos e 20 crianças a bordo do seu brigue, que ele próprio comandou. Cinquenta e cinco dias mais tarde, a 3 de Fevereiro de 1816, chegavam ao porto de Freetown, na costa oeste da África. Pouco depois da chegada, Cuffe fez um discurso aos colonos, referindo-se à esperança como a “âncora da alma” e incentivando os colonos a organizar encontros mensais para “caminhar à luz do Senhor”. A coleção destaca as crenças e ideais Quaker de Cuffe, além de demonstrar o seu forte espírito humanitário.

A história diz-nos que a segunda viagem de Cuffe para a Serra Leoa marcou sua última viagem à África Ocidental, mas essa conquista histórica ecoou por toda a comunidade Afro-Americana. Embora Cuffe nunca voltasse, várias pessoas permaneceram em contato com ele e escreveram cartas descrevendo a sua nova casa. Além disso, a coleção também contém correspondência de outros Afro-Americanos perguntando sobre a Serra Leoa, com muitos expressando um forte desejo de viajar com Cuffe, no caso de uma terceira viagem acontecer.

Este trecho é de uma carta de John James, um comerciante Quaker em Filadélfia, escrevendo a Cuffe em Junho de 1816. James destaca os sentimentos positivos que os Afro-Americanos mantiveram em relação à Serra Leoa, após o segunda viagem de Cuffe.

A vida próspera de Paul Cuffe terminou em 1817 antes que ele pudesse fazer uma terceira viagem à Serra Leoa. No monumento colocado acima de seu último lugar de descanso, em Westport, lê-se:

EM MEMÓRIA DO

CAPITÃO PAUL CUFFEE

PATRIOTA, NAVEGADOR, EDUCADOR,

FILANTROPO, AMIGO

UM CARÁTER NOBRE

 

Este texto encapsula tudo o que Cuffe representou durante a sua vida e embora o seu tempo tenha passado, o seu espírito vive através da sua coleção de manuscritos na Biblioteca de Pesquisa do Museu da Baleia.

Se quiser debruçar-se mais detalhadamente sobre este assunto, entre em contato com Mark Procknik na Biblioteca (508) 997-0046 ext. 134, para agendar uma consulta.

Se quiser saber mais sobre Paul Cuffe, visite a Cozinha Cuffe do Museu, uma exposição multimédia, permanente, dedicada à vida, carreira e realizações de um dos Afro-Americanos mais influentes da história.