Foto tomada em 1897 do Newport no ponto de Pitt, Alaska Accession #2000.100.863

Cada peça da Biblioteca tem a sua própria história única para contar. Convidamo-lo a debruçar-se sobre alguns dos milhares de materiais e ouvir os seus contos através do projeto “Saído Do Cofre” do Museu, uma nova exposição digital com tesouros diferentes da Biblioteca.

Retrado do Capitão Bodfish tirado doze anos antes da viagem  a bordo da Newport. Accession #2000.100.202.29

Em 1978, o Sr. e Sra. De George Bodfish doaram à Biblioteca uma coleção de manuscritos e fotografias relacionadas com Hartson Hartlett Bodfish (1862-1945), um capitão de treze viagens de caça à baleia ao Oeste do Ártico durante o final do Século XIX e início do Século XX. Esta doação também veio com vários diários de bordo e diários escritos pelo próprio Bodfish que documentam as suas façanhas de caça à baleia. Um destes diários contém um relato parcial da viagem baleeira do Newport 1892-1898. O diário começa a 21 de Agosto de 1893 e representa um importante capítulo da história baleeira Americana.

Em 1848, a barca Superior de Sag Harbor, NY cruzou o Estreito de Bering e entrou no Oceano Ártico Ocidental. O capitão Thomas Roys e a sua tripulação encontraram uma baleia da groenlândia, uma espécie previamente inexplorada com barbas até treze pés de comprimento. O contexto temporal do Superior era perfeito, pois o mercado de barbas de baleia disparou pouco depois, uma vez que este material flexível, de tipo plástico, era usado para fabricar saias e espartilhos femininos de aro. Como resultado, o Ártico Ocidental  tornou-se, imediatamente, o destino baleeiro de eleição e as baleias da groenlândia rapidamente se  tornaram o prémio de captura para baleeiros Americanos.

De acordo com Bodfish, na sua biografia de 1936, perseguindo baleias desta espécie, a viagem de 1892 do Newport teve um significado especial devido ao facto de que “marcou o início real da caça intensiva de baleias no norte e da invernada de frotas no gelo, onde a as tripulações formaram uma colónia durante o inverno que era maior do que a população de muitas cidades nos Estados Unidos.” Bodfish também afirma que várias inovações foram introduzidas nesta viagem, a fim de aliviar a carga de trabalho e tornar a vida mais agradável.  Esta viagem também tem um significado na vida pessoal de Bodfish, pois embora tenha sido inicialmente enviado como oficial, assumiu o papel de mestre de substituição, marcando a primeira vez que serviu nessa capacidade durante sua carreira.

Bodfish dedica duas páginas e meia na parte final do seu diário a estatísticas de baseball.  Conforme as suas notas, os campeões da liga ganharam 40 libras de tabaco.

As entradas deste diário são preenchidas com notas comuns a um típico episódio baleeiro.  No entanto, muitas das entradas oferecem informações valiosas sobre a vida diária de um baleeiro do Ártico, uma vez que Bodfish interagia, constantemente, com os oficiais de outros navios da frota. O que torna esta descrição particular notável é o material adicional que não é comum a outros diários de bordo e diários de baleação. Por exemplo, Bodfish usa páginas no seu diário para registar as estatísticas da temporada de 1895 da Liga de Baseball, na Ilha de Hershel. A seguir à lista de estatísticas de baseball vem uma página intitulada “Bolas apanhadas por mim na parte esquerda do campo.” Não só Bodfish seguiu com entusiasmo a liga, como também foi um participante ativo. A natureza poética de Bodfish

até sobressai, pois o seu diário contém um poema original escrito sobre a caça à baleia intitulado “Isso é Amor”, no qual faz referência a vários elementos de uma viagem de baleação, incluindo as reuniões sociais partilhadas pelos oficiais da frota e os jogos de baseball.  Estes detalhes únicos e interessantes realmente fazem do diário de Bodfish uma peça fascinante.

Acima a primeira estrofe do poema original de Bodfish intitulado “Isso é Amor [That is Love].”  O seu poema é um olhar subtil à caça à baleia no Ártico ocidental a partir do porto de São Francisco.

A Biblioteca orgulha-se de ter a maior coleção de diários de bordo de baleação e diários no mundo e o diário de Hartson Bodfish é apenas um exemplo dos milhares de histórias únicas e interessantes armazenadas nas abóbadas da Biblioteca. Graças aos fundos fornecidos pelo North Pacific Research Board garantidos através da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, agora é possível ver este diário em formato digital através da nossa página online “Diário de bordo e outros Diários”. Se pretender dar uma atenção mais detalhada a este diário baleeiro, manuscritos Bodfish ou qualquer outra peça da coleção da Biblioteca, entre em contato com Mark Procknik, (508) 997-0046 ext. 134, para agendar uma consulta.