A capa de “Regiões Árticas”, publicado em Londres por Sampson Low, Marston, Low e Searle em  1873

Cada peça da Biblioteca tem sua própria história única para contar, e nós convidamo-lo a debruçar-se sobre alguns dos milhares de materiais e ouvir os seus contos através de Saído Do Cofre do Museu, uma exposição digital rotativa, que realça um tesouro diferente da Biblioteca, de cada vez.

Fotografia de busto de William Bradford com a idade de 50

Doado à coleção da Biblioteca por Charles C. Glover III em 1981, a obra Regiões Árticas contém a narração de William Bradford (1823-1892) da sua expedição de 1869 à Groenlândia. Na época da sua publicação, em 1873, este livro com capa em pele e de dimensões muito grandes, foi o primeiro livro a capturar o esplendor do Ártico através da fotografia. Enquanto o relato em primeira mão de Bradford relaciona as suas experiências entre o cenário ártico e o “Esquimó” nativo em detalhes extraordinários, são as 141 fotografias que acompanham a narrativa que transportam completamente o leitor para o visualmente deslumbrante reino Polar.

Nascido em Fairhaven, Massachusetts, Bradford começou a sua carreira profissional pintando retratos de navios, mas o fascínio do desconhecido atraiu-o para o Ártico. O interesse de Bradford pela região desencadeou uma série de expedições à Groenlândia, a partir de 1861. A sua última viagem, em 1869, foi a mais ambiciosa, pois esta viagem foi feita apenas para fins artísticos, que levou à publicação de Regiões Árticas.

A sua expedição final destaca-se das anteriores devido, em grande parte, a John Dunmore e George Critcherson, dois fotógrafos profissionais do Estúdio J. W. Black que Bradford contratou para acompanhá-lo. A sua colaboração provou ser inovadora, tal como as fotografias deslumbrantes, entrelaçando-se com a narrativa detalhada de Bradford para pintar uma imagem completa da região. As fotografias de Dunmore e de Critcherson não  adicionaram somente a profundidade a Regiões Árticas, mas serviram como inspiração de trabalhos de Bradford no futuro.

Esta cena demonstra o tamanho e o âmbito da paisagem fotografado por Dunmore e Critcherson.

 

 O notável explorador do Ártico e autor Isaac Israel Hayes também se juntou a Bradford na sua expedição de 1869. O impacto de Hayes mostrou-se incomensurável, trazendo à expedição o seu conhecimento da região e do seu povo que aquele acumulou das suas viagens anteriores ao longo da costa ocidental da Groenlândia.

Bradford e o seu grupo partiram de St. John’s, Terra Nova, no dia 3 de Julho, a bordo do Panther, um navio de 350 toneladas comandado pelo capitão John Bartlett. A expedição cobriu mais de 5.000 milhas náuticas, num período de três meses. O Panther navegou até à costa oeste da Groenlândia, até ao norte como a Baía de Melville, antes que os impenetráveis ​​blocos de gelo obrigassem a tripulação a voltar. Regiões Árticas ilustra a viagem inteira de Bradford e o equilíbrio perfeito da fotografia e do texto permite a todo o leitor reviver experiências vividas de Bradford.

Esta fotografia é uma das muitas refletindo a interação de Bradford com os “Esquimós”

Nas palavras do notável historiador polar Russell Potter, Regiões Árticas permanece “o livro mais magnífico sobre o Ártico jamais ilustrado com fotografias” e muitos estudiosos, historiadores e amantes da arte ecoam os seus sentimentos. Apenas 300 cópias de Regiões Árticas foram impressas em 1873. Agora, pela primeira vez desde sua publicação inicial há 140 anos, este livro está a ser republicado para o leitor moderno.

Além da republicação do livro, o museu abriu também uma exposição nova intitulada: “Visões do Ártico: Away then Floats the Ice-Island”. Esta exposição explora as interseções entre arte, exploração, impacto humano e compreensão do ambiente e caracteriza a obra Regiões Árticas original como um de seus principais objetos.