Exposição Marítima Cabo Verdiana

Inaugurada a 5 de Julho de 2011

Esta exposição enaltece a República de Cabo Verde, o seu povo, a sua história marítima, as ligações à Nova Inglaterra e os legados que continuam a ligar New Bedford e a sua cultura a Cabo Verde. Esta exposição capta a essência dos importantes vínculos  entre New Bedford e Cabo Verde, as características únicas da cultura cabo verdiana e o legado especial dessa cultura e história, aqui, em New Bedford.

Imigrantes Cabo Verdianos a bordo do “Savoia” (#1981.61.725)

 

O comércio entre Cabo Verde e New Bedford data da década de 1790 e até de antes, quando navios mercantes de New Bedford, procuravam as peles de focas capturadas a sul, no Oceano, e paravam em Cabo Verde para abastecimento de mantimentos. A partir de meados do século XVIII, as ilhas eram também um importante destino comercial, pois a Ilha do Sal produzia, precisamente, sal, uma mercadoria essencial. Navios mercantes americanos paravam ali, frequentemente, para encher os seus porões deste produto valioso. Roupa e tecidos eram os produtos americanos mais negociados, em troca.

Localizado ao largo do cabo mais ocidental do continente africano, a sua geografia também colocou este arquipélago no caminho direto dos navios baleeiros que navegavam em direção aos cabos do sul. Enquanto os baleeiros e comerciantes visitavam as ilhas para obterem alimentos, água e sal, os próprios ilhéus juntavam-se aos navios que passavam. Agentes baleeiros de New Bedford, geralmente, instruíam os seus mestres para transferirem o óleo entre navios, para New Bedford, em “Cabo dos Verdes”. Os baleeiros americanos de New Bedford começaram a visitar as ilhas desde os anos 1790 e iniciaram um comércio mais regular no início do século XIX, principalmente para frutas (essencialmente laranjas, bananas, cocos e melancias), bem como porcos, galinhas e cabras. Por vezes, cabo verdianos que estavam disponíveis, juntavam-se à tripulação, procurados deliberadamente por capitães de navios baleeiros que queriam preencher os falhas nas suas tripulações. Os homens da ilha deixavam a sua terra árida; uma terra natal frequentemente atormentada por doenças e vulcões, bem como um compreensível medo do serviço militar forçado, e “atirando-se para os braços da sorte “, emigravam para a Nova Inglaterra à boleia de um conveniente baleeiro de passagem. Enquanto os homens saíam, na proporção de até cem por ano, as mulheres eram muitas vezes deixadas para trás. O Secretário-Geral de Cabo Verde, relatando em 1874 e o estado das mulheres nas ilhas, notava que,devido a tantos homens partirem a bordo de barcos baleeiros que ali paravam, “há uma grande desproporção entre o sexo masculino e feminino “, e que muitas mulheres procuravam passagem para os EUA em navios sobrelotados para procurarem o marido ou para se juntarem aos seus maridos e familiares.

Uma vez desembarcados em New Bedford as oportunidades estavam abertas para pessoas dispostas a trabalhar. A cidade, em meados do século XIX era um centro marítimo industrial dinâmico. O seu constante crescimento apoiava um grupo demográfico diversificado com povos de todo o mundo Atlântico, que construíam novas comunidades, no antigo porto baleeiro colonial. Estas oportunidades incluíam mão de obra costeira, têxteis e fábricas de cordas, trabalhos agrícolas nos campos de arandos e mirtilo e a oportunidade de se juntar a um navio de alto-mar e poder aplicar habilidades e talentos inatos, de forma a subir na hierarquia da tripulação. A pesca da baleia proporcionou aos cabo verdianos diversos meios não só para ganhar a vida mas também se destacarem. Mas não foram apenas os homens que beneficiaram da caça à baleia. As mulheres imigrantes também trabalhavam na produção de velas na cidade. Arpoadores cabo verdianos, claro, eram lendários na pesca. Homens como João da Lomba e Brás Lopes, Theophilus Freitas e José Gomes não foram apenas líderes supervisores, baleeiros qualificados, mas oficiais a bordo de navios famosos como as barcas Sunbeam e Wanderer, o brigue Daisy e a barca Charles W. Morgan. Estes foram os homens que povoaram a caça ao cachalote de New Bedford, no início do século XX.

A oportunidade em New Bedford certamente não se limitava a fábricas e navios baleeiros. Enquanto o século XX prosseguia e os laços entre as ilhas e o porto se fortaleciam, empresários como Roy Teixeira, Henrique Mendes, Louis Lopes, Frank Lopes e António Cardoza adquiriram, geriram e eram proprietários de barcos como o Coriolano, o Savoia e o Arcturus. Esses navios de carga galgavam as águas do Atlântico entre as ilhas e New Bedford, atingindo os portos do Mindelo, em São Vicente, e Furna, na Brava, importantes pontos de embarque para milhares de imigrantes cabo verdianos, que partiam para os Estados Unidos. A maioria estabeleceu-se na Nova Inglaterra. É importante notar que não só os cabo verdianos estabeleceram residência em New Bedford, como também, entre 1860 e 1965, 41% do comércio de carga entre a Nova Inglaterra e as ilhas era propriedade de cabo verdianos.

Presidente de Cabo Verde, Pedro DeVerona Rodrigues Pires ​(da cerimónia de inauguração da galeria, Cortesia de NBCA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Last modified: April 25, 2017